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文章

2026年4月29日

作者:
Repórter Brasil

Brasil: Ministério Público do Trabalho aponta que grandes empresas movimentaram R$ 48 bilhões com fornecedores ligados ao trabalho escravo

Photo credit: Global March Against Child Labour.

“Grandes empresas compraram R$ 48 bi de fornecedores flagrados com trabalho escravo, diz MPT”, 29 de abril de 2026

MAIS DE 30 grandes empresas compraram, nos últimos anos, R$ 48 bilhões em insumos de fornecedores flagrados por trabalho escravo. Parte dessas companhias assinou acordos para prevenir o crime em suas cadeias produtivas, enquanto outras foram levadas à Justiça para adotar providências.

Esses são os resultados da primeira fase do projeto Reação em Cadeia, anunciados ...pelo MPT (Ministério Público do Trabalho). O projeto foi criado em 2020 numa tentativa da Procuradoria de responsabilizar empresas envolvidas, direta ou indiretamente, com trabalho análogo ao de escravo em cadeias produtivas no Brasil.

“A gente conseguiu demonstrar que, ao longo de anos, boa parte dessas empresas adquire mercadorias de empregadores escravocratas e não adotam o mínimo de cuidado que seria de se esperar para empresas que são multinacionais, grandes indústrias”, afirma o coordenador do projeto, o procurador do Trabalho Ilan Fonseca, em coletiva de imprensa na sede do órgão, em Brasília.

Segundo os dados apresentados, foram produzidos mais de 30 relatórios técnicos de rastreamento, abrangendo nove setores econômicos estratégicos da economia brasileira.

Entre os segmentos identificados estão alimentos e setor supermercadista, agropecuária, soja, etanol, indústria do aço, indústria têxtil e construção civil. O relatório também menciona, na zona rural, atividades como pecuária, carvoejamento para siderurgia, cafeicultura, produção de etanol, cultivo de soja, extração de sisal e mandioca. Nos centros urbanos, o trabalho escravo é mais presente na indústria têxtil e na construção civil.

As informações se referem aos anos de 2024 e 2025...

Entre as empresas citadas estão o frigorífico JBS e a trading de grãos Cargill, alvos de ações civis públicas. Aparece também a siderúrgica Viena...

Procurada, a JBS afirmou que não foi notificada sobre a ação do MPT. A nota diz que as compras da empresa “seguem procedimentos rigorosos”. “Por meio de um sistema de monitoramento geoespacial e consultas a informações públicas, a JBS avalia, desde 2009, milhares de potenciais fazendas fornecedoras de bovinos diariamente. Nossa Política de Compras de Matéria-Prima proíbe a aquisição de animais de propriedades na Lista Suja do Trabalho Escravo. Auditorias externas independentes têm demonstrado o cumprimento deste critério”, continua. “A empresa é signatária do Termo de Ajustamento de Conduta da Carne Legal, organizado pelo Ministério Público Federal, e segue as normas do protocolo Boi na Linha”, finaliza.

A Viena e a Cargill também foram procuradas pela Repórter Brasil, mas não responderam até o momento. Veja a lista completa de companhias no relatório do MPT...