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Na última década, as pessoas defensoras dos direitos humanos (DDHs) se organizaram corajosamente para acabar com os abusos corporativos e evitar que as atividades comerciais causassem danos, expondo violações de direitos humanos e ao meio ambiente, exigindo responsabilização e defendendo práticas econômicas que respeitem os direitos. De povos indígenas protegendo florestas de atividades de mineração, a jornalistas expondo danos ao meio ambiente e à saúde relacionados à extração de madeira, passando por pessoas trabalhadoras que defendem melhores condições no setor de vestuário, DDHs estão na vanguarda da criação de um mundo mais equitativo, sustentável e próspero, onde os direitos são protegidos, as pessoas e a natureza prosperam e economias justas podem florescer.

Cada um de nós tem o direito de agir para proteger nossos direitos e o meio ambiente e contribuir para a criação de um mundo mais justo e equitativo, mas aqueles e aquelas que o fazem, geralmente, enfrentam grandes riscos. As empresas têm a responsabilidade de respeitar os direitos humanos, inclusive o direito de todas as pessoas de defender os direitos humanos. Quando as empresas deixam de ouvir DDHs, elas perdem aliados importantes – pessoas e grupos que lutam por transparência e responsabilidade e contra a corrupção, elementos essenciais de um ambiente operacional de negócios aberto e estável. Com o aumento do autoritarismo, o imperativo de realizar uma transição energética global justa e o aprofundamento da desigualdade em todo o mundo, o papel das empresas nunca foi tão importante, especialmente porque DDHs que pressionam por práticas corporativas que respeitem direitos enfrentam desafios cada vez maiores.

De janeiro de 2015 a dezembro de 2024, o Centro de Informação sobre Empresas e Direitos Humanos (Centro de Informação) registrou mais de 6.400 ataques em 147 países contra pessoas que expressaram preocupações sobre riscos ou danos relacionados a empresas. Isso representa, em média, quase dois ataques por dia nos últimos dez anos. Somente em 2024, registramos 660 ataques.

As principais conclusões são:

  • Os ataques contra DDHs ocorreram em quase todos os setores de negócios em todas as regiões do mundo.
  • Mineração, agronegócio e combustíveis fósseis foram os setores ligados ao maior número de ataques.
  • Quase três quartos dos ataques tiveram como alvo pessoas defensoras do clima, da terra e do meio ambiente. Isso inclui uma severa repressão ao direito de protesto por parte dos governos em todo o mundo.
  • Um em cada cinco ataques foi contra povos indígenas, apesar de constituírem apenas 6% da população mundial.
  • A América Latina e o Caribe e a Ásia e o Pacífico têm sido, sistematicamente, as regiões mais perigosas para as pessoas defensoras dos direitos humanos que levantam preocupações sobre danos corporativos, respondendo por cerca de três em cada quatro ataques registrados.
  • Desde 2015, houve mais de 530 casos de ações judiciais estratégicas contra a participação pública (SLAPPs) movidas ou iniciadas por agentes privados contra DDHs que levantaram preocupações sobre negócios.
  • O maior número de ataques ocorreu quando as DDHs levantaram preocupações sobre riscos ou danos sociais e ambientais associados a grandes projetos corporativos, e governos e/ou empresas tentaram reprimir essa oposição. Os projetos associados ao maior número de ataques na última década foram o projeto de extração e desenvolvimento de petróleo do Lago Albert (que inclui o oleoduto de petróleo bruto da África Oriental ) (Uganda e Tanzânia), Inversiones los Pinares (Honduras), Mina Las Bambas (Peru), Dakota Access Pipeline (EUA) e Oleoduto da Linha 3 (EUA e Canadá).
  • Os ataques a DDHs e as restrições às liberdades cívicas são nocivos para os negócios. Eles impedem que as empresas e os investidores tenham acesso a informações cruciais sobre os riscos e os impactos em direitos humanos, aumentando o risco operacional, financeiro e reputacional.

O espaço cívico – o ambiente que permite que todos nós nos organizemos, participemos e nos comuniquemos livremente em nossas sociedades – também continuou a se deteriorar na última década. De acordo com a Civicus, atualmente, apenas 3,6% da população mundial vive em países com espaço cívico aberto, onde os cidadãos e as organizações da sociedade civil podem se organizar, participar e se comunicar sem restrições. Em todas as regiões, os governos abusaram de seu poder para limitar as liberdades cívicas das pessoas que defendem práticas comerciais responsáveis, detendo jornalistas, aprovando legislação restritiva (como projetos de lei de financiamento estrangeiro e leis de infraestruturas criticas), criminalizando e processando DDHs e usando força violenta em protestos, entre outras ações.

Isso é prejudicial para as empresas. As restrições ao espaço cívico criam uma “caixa-preta de informações”, deixando as empresas e os investidores com lacunas no conhecimento sobre os impactos negativos potenciais ou reais sobre os direitos humanos, o que pode levar a riscos legais, financeiros, de reputação e outros. A democracia e o pleno gozo das liberdades cívicas são fundamentais para fazer frente aos principais desafios que a humanidade enfrenta e para o crescimento econômico sustentável – alguns economistas descobriram que a democratização causa um aumento no PIB per capita entre 20% e 25%. Além disso, de acordo com os Princípios Orientadores das Nações Unidas sobre Empresas e Direitos Humanos (UNGPs) e orientações subsequentes, os agentes empresariais também têm a responsabilidade de respeitar os direitos humanos, o que inclui o engajamento em uma devida diligência robusta de direitos humanos que identifique e mitigue os riscos às liberdades cívicas e às DDHs.

Em nosso contexto atual de erosão contínua da democracia, desregulamentação, reação contra preocupações ambientais, sociais e de governança (ESG), aumento de conflitos e o uso da lei e da tecnologia como armas contra a defesa dos direitos humanos, DDHs nos lembram de transcender a polarização e persistir na realização de um futuro mais justo e próspero para todos nós. As principais vitórias na última década incluem um instrumento juridicamente vinculante para proteger as pessoas defensoras do meio ambiente, regulamentações para coibir ações judiciais estratégicas contra a participação pública e vitórias importantes que promovem a responsabilidade corporativa após esforços judiciais e de defesa. Representantes de comunidades indígenas compartilharam uma visão poderosa de uma transição energética que respeite os direitos – uma estrutura essencial para o futuro. Eles estão inovando, às vezes em conjunto com empresas progressistas, para criar novos modelos de negócios transformadores, projetados para fomentar a prosperidade compartilhada em alinhamento com as prioridades autodeterminadas dos povos indígenas.

Entre janeiro de 2015 e dezembro de 2024, o Centro de Informação documentou mais de 6.400 casos de ataques em todo o mundo contra DDHs que desafiam os danos corporativos. Esses ataques foram contra povos indígenas, lideranças jovens, pessoas idosas, mulheres defensoras, jornalistas, pessoas defensoras do meio ambiente, comunidades, organizações sem fins lucrativos e outros, afetando negativamente dezenas de milhares de pessoas.

Essa é apenas a ponta do iceberg. Nossa pesquisa baseia-se em informações disponíveis publicamente e, dada a gravidade das restrições ao espaço cívico em alguns países e as preocupações com a segurança, muitos ataques não são relatados. Além disso, os governos não estão cumprindo com o seu dever de monitorar os ataques. Em países e regiões onde poucos ataques são documentados, isso não significa que a violência contra pessoas defensoras não exista, mas, sim, que as informações não estão acessíveis. Saiba mais sobre nossa metodologia de pesquisa.

As restrições ao espaço cívico ajudaram a facilitar esses ataques. Outros elementos facilitadores foram o fraco estado de direito e a governança irresponsável, os modelos econômicos focados na maximização do lucro por meio da extração insustentável de recursos, o racismo e a discriminação e a falta de consulta às partes interessadas potencialmente afetadas.

“Ouço frequentemente de pessoas defensoras indígenas que trabalham em áreas isoladas, remotas ou rurais que as empresas e os governos não os consultam adequadamente – e que seu direito de dar ou negar seu consentimento livre, prévio e informado para atividades que afetam negativamente suas vidas ou seus territórios é manipulado ou ignorado. Alguns ataques são cometidos por agentes que agem em nome das empresas, outros, por autoridades governamentais e empresas que agem em conjunto.” - Mary Lawlor, Relatora Especial da ONU sobre Pessoas Defensoras de Direitos Humanos

A América Latina e o Caribe e a Ásia e o Pacífico têm sido, sistematicamente, as regiões mais perigosas para DDHs que levantam preocupações sobre danos corporativos, sendo responsáveis por cerca de três em cada quatro (71%) ataques na última década. A África vem em seguida, com 583 ataques – cerca de um terço deles ocorreu em Uganda.

Na América Latina, a maioria dos ataques está concentrada em seis países, que respondem por quase 35% de todos os ataques em nível global – Brasil (473), México (455), Honduras (418), Colômbia (331), Peru (299) e Guatemala (256). Apesar de representar apenas 0,1% da população mundial, 6,5% dos ataques ocorreram em Honduras. Na Ásia, o maior número de ataques ocorreu nas Filipinas (411), Índia (385), Camboja (279) e Indonésia (216).

Outra tendência é um aumento nos ataques no Reino Unido, onde 91% deles foram assédio judicial (prisões, acusações criminais e SLAPPs). Os ataques no Reino Unido aumentaram notavelmente: de sete em 2022 para 21 em 2023 – o mesmo ano em que a Lei de Ordem Pública do governo do Reino Unido, que aumentou significativamente o poder da polícia para responder a protestos, entrou em vigor, minando a liberdade de expressão, reunião pacífica e associação. Os ataques aumentaram ainda mais em 2024, chegando a 34. Quase todos esses ataques foram contra pessoas que manifestaram preocupação com o setor de combustíveis fósseis.

Os ataques têm como alvo indivíduos, organizações e comunidades, causando danos físicos, drenando recursos e obstruindo o trabalho de direitos humanos. Eles também podem ter um efeito inibidor no espaço cívico e enfraquecer o tecido social vital para a resistência, a coesão da comunidade e uma sociedade inclusiva e pacífica. Além de prejudicar a segurança física, os ataques também podem afetar negativamente o bem-estar mental, emocional e econômico das pessoas defensoras dos direitos humanos.

Desde 2015, o Centro de Informação registrou 5.323 ataques não letais contra DDHs que desafiam os danos corporativos. Por meio de nossa pesquisa e trabalho coletivo com a ALLIED Coalition, também identificamos vários casos de escaladas e ataques cíclicos contra DDHs em que ameaças e assédio judicial precedem a violência física.

Escalada de ataques: A oposição dos povos Tumandok a um projeto da barragem

Em coautoria com ALLIED e ANGOC

O povo Tumandok é um grupo indígena cujas terras ancestrais nas Filipinas têm sido alvo de vários projetos de desenvolvimento públicos e privados, o que gera conflitos contínuos para a comunidade. Os membros da comunidade se opuseram ativamente ao projeto de infraestrutura Jalaur River Multipurpose Project (JRMP) II, que inclui a construção de uma represa que deslocaria aldeias indígenas e prosseguiria sem a obtenção de seu consentimento livre, prévio e informado. A Daewoo Engineering & Construction Co. Ltd. foi contratada para a execução da obra e o projeto é apoiado pelo Export-Import Bank of Korea. Vários ataques foram realizados contra membros da comunidade que se opuseram a esse projeto. Essa violência cíclica contra os Tumandok está refletida nos dados da Asian NGO Coalition for Agrarian Reform and Rural Development (ANGOC), da ALLIED e de outras fontes.

Convidamos o Export-Import Bank of Korea e a Daewoo E&C a responder. A resposta completa do Export-Import Bank ao assassinato de DDHs em dezembro de 2020 está disponível aqui. A Daweoo E&C não respondeu.

Assassinatos e desaparecimentos

Na última década, documentamos cerca de 1.100 assassinatos de DDHs que corajosamente se manifestaram contra danos corporativos. Somente em 2024, registramos o assassinato de 52 pessoas.

Comemoramos a vida, a coragem e o trabalho vital dessas DDHs e de suas comunidades. Embora os governos tenham o dever de investigar esses assassinatos, a maioria dos ataques – tanto letais quanto não letais – não é investigada e fica impune, promovendo uma cultura de impunidade que apenas encoraja mais violência.

As pessoas defensoras indígenas estão particularmente em risco. Cerca de um terço (31%) das pessoas assassinadas eram DDHs indígenas. A maioria dos assassinatos de pessoas defensoras indígenas ocorreu na América Latina, bem como nas Filipinas.

Também registramos 116 sequestros e desaparecimentos, que deixam famílias e comunidades desamparadas, sem saber da segurança e do paradeiro de seus entes queridos. A maioria ocorreu no México e nas Filipinas.

Desaparecimento de dois defensores no México

Em coautoria com Global Rights Advocacy

O setor de mineração é o mais perigoso para DDHs no México. Na última década, um quarto dos ataques foi contra DDHs que levantaram preocupações sobre a mineração; 40% desses ataques foram assassinatos. Nas montanhas costeiras de Michoacán, há uma forte resistência dos povos indígenas à mineração, em meio a uma atmosfera generalizada de violência. Os povos indígenas estão defendendo seus territórios contra interesses privados e o crime organizado, enfrentando criminalização, perseguição, agressão e assassinatos.

Antonio Díaz Valencia, líder comunitário indígena e professor, e Ricardo Arturo Lagunes Gasca, advogado da comunidade Nahua de Aquila, em Michoacán, estavam trabalhando juntos para proteger a comunidade de San Miguel de Aquila de supostos abusos da empresa de mineração Ternium. A Ternium foi incorporada em Luxemburgo e é uma subsidiária da empresa ítalo-argentina Techint Group, uma das maiores produtoras de aço da América Latina. A comunidade de San Miguel de Aquila tem levantado preocupações ambientais sobre as operações da Ternium há anos, bem como sobre os benefícios limitados que a comunidade tem recebido das operações de mineração na área.

A comunidade Nahua, pela voz de seu líder Antonio Díaz Valencia, alegou, antes dos desaparecimentos, que a empresa não havia cumprido os acordos estabelecidos, incluindo o pagamento de indenização à comunidade.

Eles também alegaram que a Ternium estaria usando a terra para outros fins que não os estabelecidos, como a exploração de uma propriedade que eles haviam concordado em usar como depósito de resíduos.

“Meu avô foi um ativista social durante toda a sua vida. Ele é um ativista dos direitos dos povos indígenas, especialmente do povo Nahua, ao qual pertencemos. Ele é uma pessoa muito, muito amada e conhecida em toda a região pelo trabalho que realizou. Basicamente, ele dedicou toda a sua vida a esta região. É o que ele mais ama.” - Keivan Diaz Valencia, neto de Antonio Diaz

Em 15 de janeiro de 2023, após ganharem ações judiciais que permitiriam uma eleição democrática de autoridades comunitárias e definiriam a agenda para o desenvolvimento da mineração, Antonio e Ricardo foram vítimas de desaparecimento forçado. Após participarem de uma assembleia comunitária para discutir as referidas questões, o veículo deles foi encontrado com pneus furados e marcas de balas. Apesar das inúmeras descobertas forenses, o paradeiro dos defensores dos direitos humanos permanece desconhecido.

Por mais de quatro anos, DDHs lutaram nos tribunais para proteger os direitos da comunidade Nahua de Aquila. Ambos os defensores relataram diferentes tipos de ameaças, incluindo serem seguidos por homens armados. Durante uma assembleia comunitária em dezembro de 2022, com a presença de gerentes da empresa, os defensores teriam recebido ameaças de que seriam alvo de desaparecimento forçado se continuassem a se manifestar contra a Ternium. Ricardo também fazia parte de um mecanismo de proteção do governo para DDHs devido ao seu trabalho de proteção dos direitos indígenas. Além disso, em dezembro de 2022, Antonio enviou uma carta ao então presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador, acusando a Ternium de pagar forças armadas para atacar e reprimir membros da comunidade Aquila.

As famílias e os defensores exigem uma investigação mais ampla sobre o contexto da violência contra pessoas defensoras ambientais e o papel das forças de segurança, das autoridades estaduais e da empresa Ternium. A violência e as ameaças contínuas contra testemunhas, membros das famílias e advogados aumentam os riscos, tornando essencial uma ação humanitária urgente.

Para isso, as famílias e seus representantes criaram o Mecanismo Independente de Recuperação Humanitária para Antonio e Ricardo (MIRHAR) e, por meio da diplomacia multilateral, estão buscando a colaboração de Luxemburgo, dos Estados Unidos e da Itália para descobrir a verdade. Eles também estão exigindo que o México reinstale a força-tarefa de alto nível acordada para implementar as recomendações do Comitê das Nações Unidas sobre Desaparecimentos Forçados e da Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

O Centro de Informação convidou a Ternium o Grupo Techint a responder sobre as alegações levantadas pela comunidade e sobre desaparecimentos de Antonio e Ricardo. A Ternium negou todas as acusações; a resposta completa está disponível aqui. Respostas anteriores da empresa estão disponíveis aqui. O Grupo Techint não respondeu.

“Estamos tentando seguir em frente, manter a saúde para que possamos continuar, porque não sabemos quanto tempo vai demorar. Não vamos parar de procurá-lo – nem por um segundo nos esquecemos de que ele não está conosco. E que eles fizeram coisas com ele. Isso está nos deixando loucos.” - Ana Lucía Lagunes Gasca, irmã de Ricardo

Gustavo Vilchis

Assédio judicial

Muitos governos não estão apenas negligenciando seu dever de proteger os direitos humanos, mas também estão armando o sistema jurídico para atacar as pessoas defensoras, permitindo que atores privados façam o mesmo. Na última década, mais da metade dos ataques que registramos constituíram assédio judicial (3.311), o que inclui detenções arbitrárias, intimações abusivas, ações judiciais estratégicas contra a participação pública (SLAPPs) e processos criminais.

Nos últimos dez anos, registramos mais de 530 ocorrências de SLAPPs – processos civis e criminais movidos ou iniciados por agentes privados - desde 2015 contra DDHs que levantam preocupações sobre empresas. Durante o ano de 2024, identificamos 26 casos que apresentam as características de SLAPPs. A América Latina tem sido a região com o maior número de SLAPPs (191), com Honduras (46) e Peru (46) liderando a região. Um número significativo de casos também foi registrado nos Estados Unidos da América (55), Tailândia (54) e Camboja (32). Sessenta e nove por cento dessas SLAPPs incluíram acusações criminais que poderiam envolver longas sentenças de prisão. O setor de mineração é responsável cerca de um terço (31%) do número total de SLAPPs.

As ações judiciais estratégicas contra a participação pública se disfarçam de ações legais legítimas, mas, na verdade, são um abuso do sistema legal, drenando recursos públicos e corroendo a confiança pública na integridade judicial. Esse mau uso do sistema jurídico atende a interesses privados em detrimento do trabalho legítimo de direitos humanos. Nossa pesquisa revela que as acusações mais comuns estão relacionadas a calúnia e difamação, danos, incitação a cometer crime, instigação à greve, crimes relacionados a informática, leis antiboicote, extorsão e conspiração. As consequências de tais ofensas e crimes geralmente envolvem compensações monetárias severas, longas sentenças de prisão e permitem medidas de detenção pré-julgamento, encarcerando DDHs durante os processos, que podem durar anos.

A recente decisão contra o Greenpeace nos Estados Unidos, amplamente considerada como tendo as características de uma SLAPP, é um exemplo. Em 20 de março de 2025, um júri da Dakota do Norte decidiu a favor da empresa de combustíveis fósseis Energy Transfer e considerou o Greenpeace responsável por difamação e outras reivindicações relacionadas aos protestos liderados por povos indígenas contra o Dakota Access Pipeline. O caso levou oito anos e resultou na decisão do júri de que as entidades do Greenpeace deveriam pagar à empresa multibilionária mais de US$ 660 milhões em indenizações.

“Esse caso deve alarmar a todos, independentemente de suas inclinações políticas. Ele faz parte de um esforço renovado das empresas para usar nossos tribunais como arma para silenciar a oposição. Todos nós devemos nos preocupar com o futuro da Primeira Emenda e com ações judiciais como essa que visam destruir nossos direitos de protesto pacífico e liberdade de expressão.”- Sushma Raman, Diretora Executiva Interina do Greenpeace EUA

O Centro de Informação convidou a Energy Transfer a responder; a resposta completa da empresa está disponível aqui.

Repressão a protestos públicos e desobediência civil

“O exercício do direito à reunião pacífica é uma das ferramentas mais importantes que as pessoas têm para defender ações climáticas e proteção ambiental mais eficazes e equitativas.” - Clement Voule, Ex-relator especial da ONU sobre os direitos à liberdade de reunião e associação pacíficas

Na última década, à medida que os impactos devastadores da crise climática se tornaram mais claros, pessoas em todo o mundo se organizaram, protestaram e se envolveram em ações diretas para interromper projetos de combustíveis fósseis e exigir uma transição para a energia renovável. Em resposta a essa poderosa mobilização, muitas vezes liderada por povos indígenas e jovens, os governos intensificaram as restrições ao direito de protestar. Essa repressão assumiu várias formas, inclusive a criminalização de ações de protesto não violentas, a aprovação de leis de infraestruturas críticas criadas para proteger os projetos de combustíveis fósseis, o aumento dos encargos operacionais e administrativos para as organizações da sociedade civil, a vigilância dos manifestantes, a estigmatização das pessoas como “terroristas” ou “antidesenvolvimento”, a aceleração de projetos sem consulta significativa à comunidade e a restrição da liberdade de expressão e do acesso à informação. Essa supressão dos direitos de reunião pacífica, protesto e participação na vida pública ocorreu tanto em sociedades democráticas quanto autocráticas e pode ter um efeito inibidor no compartilhamento de informações sobre direitos humanos e riscos ambientais relacionados a projetos comerciais.

O envolvimento em desobediência civil – atos de violação deliberada da lei em relação a questões de interesse público conduzidos publicamente e de forma não violenta, como bloquear ruas e o trânsito, ocupar escritórios de autoridades governamentais e se prender fisicamente a equipamentos das empresas – é uma forma de exercer os direitos de liberdade de expressão e liberdade de reunião pacífica garantidos pelos artigos 19 e 21 do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos (PIDCP).

O respeito a esses direitos fundamentais é vital para uma transição energética justa, entre outras questões comerciais e de direitos humanos. As consultas antes do início das operações comerciais geralmente são insuficientes, e os protestos se tornam uma das únicas vias para alertar sobre os riscos e os danos associados aos projetos.

No entanto, muitos governos optam por suprimir o direito de reunião pacífica em vez de lidar com os abusos de direitos humanos e ambientais subjacentes que levam as pessoas a protestar. Nos últimos anos, registramos vários casos de ataques a pessoas que protestavam contra projetos de combustíveis fósseis e que pediam ações climáticas, inclusive na Europa e no Reino Unido. Uma pesquisa recente da Universidade de Bristol constatou que a polícia britânica prende manifestantes ambientais quase três vezes mais do que a taxa média global, revelando o país como líder mundial na repressão legal ao ativismo climático.

Outro exemplo foi a repressão aos protestos generalizados pelo governo no Panamá após a aprovação pela Assembleia Nacional de um contrato para extração de cobre na maior mina de cobre a céu aberto da América Central, operada pela Minera Panamá, uma subsidiária da canadense First Quantum Minerals. Pelo menos 30 pessoas foram presas, 21 foram acusadas de terrorismo, incluindo Damaris Sánchez Samudio, e várias pessoas ficaram feridas, como o jornalista e ativista Aubrey Baxter, que perdeu um olho devido ao uso excessivo de força policial. Abdiel Díaz e Iván Rodríguez foram baleados e mortos por um pistoleiro em novembro de 2023 e Tomás Milton Cedeño García também foi assassinado. Anteriormente, o Centro de Informação convidou a Minera Panamá e a First Quantum Minerals a responder, mas as empresas não o fizeram.

Muitos ataques envolvem o conluio entre Estado, empresas e outros agentes não estatais, e os perpetradores geralmente são difíceis de identificar.

Com base em fontes públicas, nossos dados mostram que os agentes estatais – incluindo policiais, autoridades locais, forças armadas e o judiciário – são os autores diretos mais comuns de ataques a DDHs, muitas vezes priorizando os lucros econômicos em detrimento dos direitos humanos e beneficiando os atores empresariais.

Estados

Os Estados têm a obrigação primária de proteger DDHs – de acordo com o direito internacional, eles são obrigados a respeitar, proteger e cumprir os direitos humanos dos indivíduos em seu território e/ou jurisdição. De acordo com os Princípios Orientadores da ONU e suas orientações subsequentes, isso inclui a proteção contra abusos de direitos humanos por parte de agentes empresariais. Isso requer a adoção de medidas apropriadas para prevenir, investigar, punir e reparar tais abusos por meio de políticas, legislação, regulamentos e julgamentos eficazes.

No entanto, os Estados não apenas deixam de cumprir sua responsabilidade de proteger contra abusos de direitos humanos por parte de empresas, mas, também, são frequentemente autores de ataques a DDHs. Isso inclui a prisão e a acusação de pessoas que exercem seus direitos à liberdade de expressão e de reunião em manifestações contra projetos empresariais potencialmente prejudiciais.

Empresas

“Proteger e respeitar as pessoas defensoras dos direitos humanos não é uma opção, mas uma obrigação, para os Estados e para as empresas, respectivamente. As empresas mais sábias, visionárias e eficazes verão as pessoas defensoras dos direitos humanos como parceiras. Se envolverão com elas desde o início e com frequência... [Elas também descobrirão que isso é do seu próprio interesse, fortalecendo o gerenciamento de riscos em geral, contribuindo para a construção de confiança e, em última análise, causando um impacto positivo no estado de direito e em um ambiente de respeito aos direitos em meio às crescentes ameaças ao espaço cívico.” - Grupo de Trabalho da ONU sobre Empresas e Direitos Humanos 

Independentemente de os Estados estarem ou não cumprindo suas obrigações de direitos humanos, as empresas têm a responsabilidade de prevenir e tratar os abusos de direitos humanos em relação às suas atividades e relacionamentos comerciais. Se os agentes empresariais estiverem causando ou contribuindo para o abuso dos direitos humanos que afetam DDHs, sua responsabilidade é clara: acabar com o abuso e tratar e reparar qualquer dano. Mesmo nos casos em que não há vínculos diretos aparentes entre empresas ou investidores e ataques, espera-se que os agentes empresariais usem proativamente sua influência para promover o respeito às DDHs e às liberdades cívicas. A responsabilidade corporativa de respeitar os direitos humanos inclui o envolvimento significativo e contínuo com as pessoas detentoras de direitos, incluindo DDHs, que levantam preocupações sobre riscos e danos relacionados às suas operações, cadeias de valor ou relações comerciais. O não engajamento significativo com as pessoas detentoras de direitos pode levar a distúrbios sociais, conflitos, litígios e consequências financeiras significativas para empresas e investidores.

As empresas também devem ter um compromisso político de respeitar os direitos das DDHs, aprovado no nível mais alto, com implementação supervisionada pelo Conselho de Administração. No entanto, nossa pesquisa constatou que apenas 51 das 284 empresas avaliadas pelo Corporate Human Rights Benchmark (CHRB) e pelo Renewable Energy Benchmark do Centro de Informação se comprometeram publicamente a não tolerar ou não contribuir para ataques contra DDHs.

Apenas nove empresas atenderam aos três critérios da CHRB: comprometer-se a não tolerar ou não contribuir com ataques, esperar o mesmo em suas relações comerciais e envolver ativamente DDHs para criar ambientes favoráveis. E apenas cinco empresas de mineração têm compromissos de política para não tolerar ou não contribuir para ataques a DDHs e esperam que seus relacionamentos comerciais façam o mesmo, apesar de o maior número de ataques estar relacionado a esse setor.

Nenhuma empresa de mineração atende a todos os três indicadores do CHRB, o que é altamente preocupante, já que a mineração é o setor mais perigoso para DDHs.

Ao operar ou investir em ambientes com restrições significativas ao espaço cívico, os agentes empresariais também têm a oportunidade discricionária de apoiar e defender proativamente as liberdades cívicas – e é de seu interesse fazê-lo. Os contextos com espaço cívico aberto têm maior probabilidade de serem ambientes operacionais estáveis e previsíveis. As restrições ao espaço cívico limitam o conhecimento das empresas e dos investidores sobre os impactos negativos potenciais ou reais sobre os direitos humanos, o que pode levar a riscos legais, financeiros, de reputação e outros. As ações que as empresas podem tomar para apoiar o espaço cívico aberto incluem levantar preocupações sobre restrições às liberdades cívicas em reuniões com autoridades do governo local e de países anfitriões, participar de ações coletivas por meio de associações comerciais e iniciativas de múltiplas partes interessadas e assinar declarações públicas em apoio a DDHs e às liberdades cívicas, entre outras.

Mesmo quando os Estados são os perpetradores diretos, as empresas podem estar ligadas aos ataques, como, por exemplo, convocando a polícia ou as forças de segurança do Estado para dispersar protestos pacíficos; fornecendo aos governos serviços ou produtos que permitem a vigilância ilegal; e obstruindo a sindicalização. Outras táticas usadas pelas empresas para obter controle sobre terras e recursos, muitas vezes levando a conflitos e ataques, incluem a divisão de comunidades e o envolvimento em processos de consulta inadequados.

A captura corporativa – quando os agentes empresariais usam sua influência política para pressionar a tomada de decisões dos Estados em seu benefício em detrimento dos cidadãos – também é generalizada em todo o mundo. Isso pode incluir lobby contra a regulamentação de proteção ambiental, elaboração de legislação em particular com legisladores para limitar o direito de protesto e exploração de lacunas de governança para benefício corporativo, entre outras ações. Além disso, enquanto as restrições ao espaço cívico e à sociedade civil aumentam em todo o mundo, os atores empresariais se beneficiam de incentivos e estruturas que não promovem o respeito aos direitos humanos e que resultam na diminuição da regulamentação em muitas jurisdições. Um exemplo é o Investor-State Dispute Settlements, um conjunto de regras por meio das quais os investidores estrangeiros podem processar os Estados se eles tomarem medidas que afetem negativamente seus investimentos, criando um incentivo para que os governos ignorem as preocupações da comunidade sobre projetos comerciais, além de ter um efeito inibidor sobre a capacidade dos governos de governar em prol do interesse público, incluindo garantir a proteção de DDHs.

Empresas conectadas ao maior número de ataques

Uma empresa específica foi mencionada em metade de todos os ataques registrados desde 2015. O maior número de ataques ocorreu em relação a projetos comerciais de empresas com sede nos Estados Unidos, Reino Unido e Canadá. Quarenta por cento dos ataques relacionados a empresas sediadas nos Estados Unidos ocorreu internamente, seguidos por Peru e México. Quase todos os ataques relacionados a empresas canadenses ocorreram nas Américas.

Nossa pesquisa revela que o maior número de ataques ocorreu quando as pessoas levantaram preocupações sobre danos sociais e ambientais associados a grandes projetos comerciais e o Estado e/ou as empresas operadoras reprimiram as pessoas que exerciam seu direito de protestar.

Na última década, os projetos associados com o maior número de ataques foram o projeto de extração e desenvolvimento de petróleo no Lago Albert (que inclui o Oleoduto da África Oriental – East African Crude Oil Pipeline) (Uganda e Tanzânia), Inversiones Los Pinares (Honduras), Oleoduto Dakota Access (EUA), Mina Las Bambas (Peru) e Oleoduto Line 3 (EUA e Canadá). Clique nos cartões abaixo para explorar detalhes sobre ataques e esses projetos.

Nenhuma das empresas envolvidas nesses projetos tem políticas publicamente disponíveis e comprometidas em não contribuir ou tolerar ataques a DDHs. A TotalEnergies EP Uganda publicou uma declaração de que não “tolera quaisquer ameaças, intimidação, assédio ou violência contra aqueles que promovem pacífica e legalmente os direitos humanos em relação às nossas atividades”. Na edição mais recente de seu Human Rights Briefing Paper, a TotalEnergies afirma: "Em nossa opinião, um espaço cívico aberto e o papel das organizações da sociedade civil e outras pessoas defensoras dos direitos humanos são necessárias para garantir o respeito pelos direitos humanos e para expressar as preocupações dos titulares de direitos. Como parte de nossas atividades, promovemos o diálogo e as discussões com pessoas defensoras dos direitos humanos, conforme definido na Declaração das Nações Unidas sobre as Pessoas Defensoras dos Direitos Humanos.”

Ataques a DDHs ocorrem em quase todos os setores de negócios em todas as regiões do mundo. Na última década, os setores ligados ao maior número de ataques foram mineração (1.681), agronegócio (1.154), combustíveis fósseis (792), energia renovável (454) e exploração madeireira (359).

Esses cinco setores estão intimamente ligados à crise climática. Os combustíveis fósseis e os setores de agronegócio são os principais setores poluentes. A mineração, o agronegócio, os combustíveis fósseis e a exploração madeireira são os principais causadores de desmatamento.

Em foco: Setores

A seção a seguir fornece informações adicionais sobre três setores-chave: 1) mineração, que é o mais perigoso para DDHs; 2) energia renovável, dada a necessidade urgente de uma transição energética e o potencial do setor para se envolver em práticas mais responsáveis; e 3) tecnologia, já que as mídias sociais, softwares de espionagem e outras tecnologias estão sendo usadas para atacar DDHs e muitas empresas de tecnologia têm ignorado amplamente suas responsabilidades de respeitar DDHs.

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Mineração

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Mineração

O setor de mineração tem sido o mais perigoso para DDHs, com quase 1.700 ataques nos últimos dez anos.

Mais de um terço das DDHs que foram assassinadas na última década estavam levantando preocupações sobre projetos de mineração. Cerca de 40% dessas 384 pessoas defensoras eram indígenas.

Além disso, 60% dos ataques relacionados à mineração estão concentrados em apenas sete países: Índia (182), Filipinas (176), Peru (173), Honduras (141), México (119), Guatemala (110) e Colômbia (104).

Como a quantidade de minerais usados para a transição energética está crescendo, é urgente quebrar o ciclo de práticas prejudiciais. Mais da metade dos minerais de transição está localizada em terras de povos indígenas ou perto delas.

Nosso Rastreador de Minerais Transição, que acompanha os impactos sobre os direitos humanos da extração dos principais minerais para a transição energética, mostra que os ataques geralmente ocorrem no contexto do desenvolvimento de um projeto de mineração, quando as preocupações das comunidades locais são desconsideradas no processo de consulta e aqueles que as defendem são reprimidos. Há um processo contínuo de violência entre os danos de projetos de mineração que afetam comunidades, gerando impactos negativos nos ambientes em que vivem e resultando em ataques contra membros dessas comunidades que denunciam tais danos e defendem a proteção de seus direitos.

Cadeias de suprimentos no setor de mineração

A repressão às liberdades cívicas e a corrida global para extrair mais minerais estão gerando mais conflitos e mais repressão às pessoas defensoras dos direitos humanos. A violência hedionda e a crise humanitária na República Democrática Oriental do Congo estão ligadas à extração de coltan, que é usado em uma grande variedade de dispositivos eletrônicos. No Brasil, relatórios identificaram empresas potencialmente ligadas ao ouro extraído ilegalmente de terras de povos indígenas, incluindo a Terra Indígena Yanomami. O Centro de Informação registrou pelo menos 16 ataques contra indígenas Yanomami, que enfrentam uma crise humanitária causada pelos impactos das atividades de mineração ilegal. O cobre – um mineral essencial para a eletrificação – foi associado a 87 ataques em operações de mineração em larga escala desde 2015, incluindo 21 SLAPPs. Na Índia, em outubro de 2023, foi realizada uma consulta pública para o bloco de bauxita de Sijimali, que foi concedido à Vedanta Limited no início do ano, em Odisha, em um contexto de forte presença policial e após a prisão de mais de 20 líderes comunitários que se manifestaram contra a mina. Globalmente, o recente aumento nos esforços de países para garantir minerais essenciais para ambições de energia renovável, fins aeroespaciais e de defesa está estabelecendo um precedente perigoso para a rápida expansão da mineração, muitas vezes sem consideração suficiente pelos direitos humanos, representando uma ameaça substancial para DDHs e suas comunidades. Em abril de 2024, o Centro de Informação convidou a Vedanta Limited a responder; a resposta completa da empresa está disponível aqui.

Globalmente, a recente corrida entre países para garantir minerais críticos destinados aos objetivos de transição energética, bem como aos setores aeroespacial e de defesa, está estabelecendo um precedente perigoso para a expansão acelerada da mineração — muitas vezes sem a devida consideração pelos direitos humanos —, representando uma ameaça significativa para DDHs e suas comunidades.

A grande quantidade de ataques a DDHs que levantam preocupações ambientais e de direitos humanos sobre as operações de mineração mostra uma falha nos esforços de devida diligência em direitos humanos das empresas de mineração, bem como por parte dos usuários finais desses minerais. A pressão da sociedade civil e novas regulamentações são necessárias para quebrar esse ciclo de ataques. O setor automotivo tem enfrentado críticas de longa data por abusos de direitos humanos em suas cadeias de suprimentos, incluindo o trabalho infantil na República Democrática do Congo na mineração de cobalto. Em 2023, o Regulamento de Baterias da UE introduziu requisitos de devida diligência sem precedentes para os usuários finais de minerais de baterias, levando as empresas a uma maior transparência e responsabilidade. Análises recentes mostram um progresso incipiente, mas limitado, nas políticas de fornecimento responsável de minerais no setor automotivo.

Em 2024, o Conselho Internacional de Mineração e Metais (ICMM) se comprometeu a respeitar os direitos dos/as DDHs em seus Princípios de Mineração e adicionou uma ferramenta de DDHs à sua orientação de devida diligência de direitos humanos para empresas associadas. Outro avanço foi o lançamento de novas orientações sobre DDHs pela Iniciativa de Princípios Voluntários sobre Segurança e Direitos Humanos em dezembro de 2023. A Iniciativa de Princípios Voluntários é uma plataforma global multissetorial baseada em adesão que apoia a implementação dos Princípios Voluntários, que são diretrizes para empresas extrativistas sobre como manter suas operações seguras e protegidas enquanto operam em uma estrutura que respeita os direitos humanos e as liberdades fundamentais. A nova publicação fornece orientações para as empresas membros, incluindo as mineradoras, sobre como identificar e reduzir os riscos para DDHs, integrar as conclusões das avaliações de risco e a não tolerância a ataques nos acordos de segurança, responder quando ocorrem ameaças e ataques e garantir que os mecanismos de reclamação sejam seguros para DDHs.

No entanto, o verdadeiro teste será a implementação desses compromissos, especialmente no contexto do ICMM e de outras associações empresariais que estão lançando uma consolidação de seus padrões em um único esquema global, que tem sido criticado por muitos na sociedade civil.

Latin America wind turbine

Energia Renovável

Latin America wind turbine

Energia Renovável

Este é um momento crucial na evolução do sistema global de energia. Temos a chance de garantir uma transição justa criando um novo setor de energia que defenda e promova os direitos humanos.

Isso significa que as empresas que operam ao longo da cadeia de valor das energias renováveis (ER) têm a responsabilidade de investigar, avaliar e mitigar os riscos de impactos negativos sobre os direitos humanos associados às suas atividades comerciais, incluindo o envolvimento com quaisquer parceiros envolvidos em ataques. Os ataques a DDHs não ocorrem apenas na parte a montante da cadeia de valor das energias renováveis — ou seja, no nível da extração de minerais de transição —, mas também estão relacionados com as instalações de ER em todos os subsetores: hidrelétrico, eólico, solar, geotérmico e de biocombustíveis.

Embora algumas empresas estejam dando exemplos de boas práticas, muitas estão ficando para trás. Nosso Benchmark de Energia Renovável revelou que três quartos dos principais desenvolvedores de projetos eólicos e solares avaliados têm políticas sólidas de direitos humanos alinhadas com os Princípios Orientadores da ONU. No entanto, apenas duas empresas mencionam os direitos dos povos indígenas ou têm compromissos relacionados que não estão ancorados na Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas (UNDRIP).

A energia hidrelétrica é – por uma margem significativa – o subsetor de ER conectado ao maior número de ataques. O Centro de Informação reconhece que muitas organizações e comunidades não veem os grandes projetos de energia hidrelétrica como uma fonte renovável, devido aos seus impactos sociais, culturais e ambientais muitas vezes graves. Nós a incluímos em nossa análise porque ela faz parte de muitos planos de ação climática de governos e para criar uma visão geral abrangente dos principais riscos relacionados à transição energética. No entanto, os abusos revelados em nossa base de dados enfatizam e confirmam as preocupações destes grupos: nos últimos dez anos, os projetos hidrelétricos estiveram ligados a 365 ataques a DDHs, com mais de 100 pessoas defensoras assassinadas. O maior número de ataques relacionados a projetos hidrelétricos ocorreu em Honduras, Guatemala, México, Colômbia, Filipinas e Índia.

Esses ataques geralmente decorrem da resistência das populações ao deslocamento forçado, aos danos aos seus meios de subsistência, ao acesso à água e à cultura, e à exclusão de processos decisórios sobre projetos que afetam profundamente suas vidas. Por outro lado, os povos indígenas – especialmente por meio da Parceria Energética Justa com os Povos Indígenas (Right Energy Partnership with Indigenous Peoples) – têm inovado com uma forma de energia hidrelétrica mais responsável do ponto de vista ambiental e social, estabelecendo sistemas micro-hidrelétricos a fio d’água, culturalmente adequados e sustentáveis, em países como Malásia, Nepal e Camarões.

O cenário é menos sombrio quando se trata de projetos eólicos, solares e geotérmicos. Exemplos inspiradores de copropriedade indígena em projetos renováveis demonstram que, com a estrutura regulatória correta e o ambiente propício para a criação de parcerias equitativas, há modelos de negócios disponíveis que capacitam as pessoas, evitam riscos e conflitos operacionais e de reputação, combatem a crise climática e avançam nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Além disso, é encorajador o fato de que, de acordo com a última edição de nosso Benchmark de Energia Renovável, oito das 28 maiores empresas de energia eólica e solar do mundo adotaram compromissos públicos para respeitar os direitos das DDHs – em comparação com zero na edição anterior de  2021. Isso representa o maior salto de qualquer uma das categorias avaliadas e mostra um compromisso e uma conscientização crescentes nessa área. No entanto, ainda existe uma lacuna preocupante entre a política e a prática e ainda há muito espaço para melhorias. Desde 2015, registramos quase 80 ataques a DDHs relacionados a projetos eólicos, solares, de bioenergia e geotérmicos. Cada um desses ataques é indesculpável: uma tragédia para os indivíduos, movimentos, suas famílias e comunidades, um abuso dos direitos humanos e uma ameaça direta à transição energética justa e equitativa.

Phone records pro-Palestine protest in Jakarta, Indonesia, April 2024

Tecnologia

Phone records pro-Palestine protest in Jakarta, Indonesia, April 2024

Tecnologia

“Embora o espaço on-line seja vital para pessoas defensoras de direitos humanos que o utilizam para denunciar violações dos direitos humanos e danos ambientais, estamos vendo uma piora nas medidas das plataformas para proteger as pessoas defensoras e outros usuários de alto risco. Não apenas DDHs estão sendo submetidas a níveis preocupantes de abuso on-line, mas essas ameaças on-line podem se traduzir em danos off-line, incluindo prisões e violência física. Preocupamo-nos com o fato de que, à medida que as plataformas reduzem suas medidas de segurança e integridade e ignoram esses riscos, DDHs se retirarão dos espaços on-line, tornando mais fácil para os grandes poluidores e violadores dos direitos humanos espalharem suas falsas narrativas.” – Chido Dunn, Global Witness 

Na última década, o desenvolvimento e a expansão das tecnologias digitais ajudaram a viabilizar o trabalho vital das pessoas defensoras dos direitos humanos – do monitoramento de abusos até a organização transnacional. No entanto, essas tecnologias também deram origem a novas vulnerabilidades e foram instrumentalizadas por governos e agentes não estatais para atacar DDHs e o seu trabalho. Isso inclui retirar ou censurar informações compartilhadas por DDHs on-line; bloquear a Internet para limitar a liberdade de expressão e a organização on-line; participar de campanhas de intimidação, assédio e difamação contra pessoas defensoras em plataformas de mídia social; facilitar a violência on-line baseada em gênero contra mulheres e DDHs de gênero diverso; “doxxing” (fornecer publicamente informações pessoais on-line sobre pessoas com intenção maliciosa); disseminar discursos de ódio on-line que levam à violência off-line; e usar softwares espiões para monitorar as atividades de DDHs.

A situação é ainda mais terrível para DDHs que atuam no contexto de regimes autoritários, com um estado de direito fraco, onde as ferramentas digitais se tornaram instrumentos de repressão em vez de promoverem direitos. No ano passado, houve uma grande mudança na relação entre os líderes do setor de tecnologia e seu compromisso com os direitos humanos, pois as principais empresas reverteram as proteções para grupos marginalizados; destruíram iniciativas de diversidade, equidade e inclusão; censuraram usuários que falavam sobre violações de direitos humanos na Palestina; reduziram a verificação de fatos; e reverteram o curso de seus compromissos éticos de Inteligência Artificial (IA).

A urgência dessa questão é agravada ainda mais pela grande falta de transparência do setor de tecnologia, que não reconhece e nem enfrenta seu papel na viabilização de abusos de direitos humanos. Entre janeiro de 2013 e dezembro de 2023, o Centro de Informação fez mais de 700 convites a mais de 300 empresas de tecnologia para que respondessem a alegações de abuso. Recebemos respostas de apenas 48% – uma taxa de resposta significativamente menor do que a de outros setores empresariais. Essa falta de transparência não apenas permite a impunidade, mas também sinaliza a falta de vontade das empresas de tecnologia de se envolverem adequadamente na devida diligência em direitos humanos. Pessoas defensoras do Sul Global também compartilharam vários desafios relacionados ao envolvimento com empresas de tecnologia em questões de direitos digitais.

A Declaração+25, informada por consultas com mais de 700 DDHs, identificou ataques facilitados pela tecnologia contra DDHs como uma lacuna na Declaração da ONU sobre Pessoas Defensoras de Direitos Humanos e uma tendência crescente na última década. No final de março de 2025, o Conselho de Direitos Humanos, liderado pela Noruega, adotou uma resolução que amplia as obrigações dos Estados de proteger DDHs na era digital, observando que as responsabilidades das empresas de tecnologia incluem a antecipação e a abordagem de danos relacionados ao uso de seus produtos e serviços, e incentiva as empresas a realizar a devida diligência em direitos humanos de acordo com os Princípios Orientadores da ONU em todo o ciclo de vida e cadeia de valor de seus serviços e produtos, a fim de identificar, prevenir e enfrentar possíveis riscos para DDHs.

Nossos dados revelam um padrão persistente de ataques a pessoas defensoras da terra e do meio ambiente na última década, representando três quartos de todos os ataques. Em 2024, 89% das DDHs que sofreram ataques defendiam a terra e o meio ambiente. Além disso, 96% das pessoas defensoras indígenas que sofreram ataques na última década estavam defendendo os direitos à terra e ao meio ambiente, o que destaca sua liderança na proteção dos recursos naturais e do planeta.

As pessoas que se organizam em prol de melhores condições de trabalho, quer façam parte de sindicatos organizados ou da força de trabalho em geral, também têm sido atacadas, com mais de 965 ataques registrados. Nosso mapeamento não inclui demissões injustas, que é uma forma comum de retaliação contra pessoas trabalhadoras e lideranças sindicais, o que sugere que o número real de ataques é muito maior. A maioria ocorreu nos setores de vestuário e têxtil, agronegócio e mineração.

“No Uzbequistão, várias instituições financeiras de desenvolvimento (IFDs) (Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento, Corporação Financeira Internacional e Banco Asiático de Desenvolvimento) financiaram a empresa de algodão Indorama Agro, uma das maiores produtoras de algodão do país, apesar das represálias perpetradas pela empresa, funcionários do governo e serviços de segurança contra pessoas trabalhadoras, membros de sindicatos e pessoas defensoras de direitos humanos… Os serviços de segurança, os funcionários do governo e os representantes da empresa ameaçam e assediam sistematicamente as pessoas trabalhadoras e agricultoras que tentam se manifestar, tornando quase impossível documentar essas violações de direitos... Organizações internacionais, como o Uzbek Forum for Human Rights e a CEE Bankwatch Network, levantaram essas preocupações junto às IFDs que financiam o projeto, mas, até o momento, os bancos de desenvolvimento não tomaram medidas efetivas para lidar com essas represálias.” Relatório Financing Repression (Financiando a Repressão), Coalition for Human Rights in Development (Coalizão pelos Direitos Humanos no Desenvolvimento)

O Centro de Informação convidou o BERD, a IFC e o ADB a responderem; as respostas da IFC, do ADB e do BERD estão disponíveis aqui. A Indorama Agro não respondeu.

Os jornalistas também foram alvo de quase 600 ataques, o que representa 9% dos casos globais. Cerca de 40% desses ataques ocorreram na Ásia e no Pacífico, seguidos por 21% na América Latina. A maioria dos jornalistas estava fazendo reportagens sobre questões climáticas, fundiárias e ambientais (60%) ou corrupção (24%). Nos últimos anos, os ataques à imprensa e à mídia se intensificaram, restringindo severamente o acesso à informação e limitando a conscientização pública sobre a destruição ambiental e a responsabilidade corporativa. Na Alemanha e na Itália, por exemplo, jornalistas foram detidos por reportarem sobre protestos climáticos do grupo ambientalista Last Generation, que tem se manifestado contra o uso de combustíveis fósseis.

Em foco: Pessoas defensoras em risco

Esta seção fornece informações adicionais sobre a liderança de mulheres, meninas e pessoas defensoras de gênero diverso, Povos Indígenas e comunidades na defesa dos direitos humanos e do meio ambiente, assim como sobre as violações de direitos e os ataques que enfrentam.

Brazil Indigenous women's protest

Mulheres, meninas e DDHs de gênero diverso

Brazil Indigenous women's protest

Mulheres, meninas e DDHs de gênero diverso

Em coautoria com o Urgent Action Fund for Feminist Activism e o Fondo de Acción Urgente para América Latina y el Caribe

“Inicialmente, quando eu estava escrevendo artigos sobre a questão da mineração, os representantes da empresa de mineração falaram com meus parentes no meu vilarejo – especialmente meus irmãos – para tentar me influenciar a retirar ou alterar o conteúdo dos artigos... Pessoas ligadas à mineradora começaram a me seguir... Isso incluiu tirar fotos minhas em minha casa e publicá-las nas mídias sociais... Nas postagens, eles diziam que eu estava hospedando a pessoa que estava investigando o projeto de mineração em minha casa, sugerindo que eu estava prestando serviços sexuais; as pessoas escreviam coisas como: ‘Ela é uma prostituta’. Como a empresa tinha muitos recursos financeiros, eles promoveram esse conteúdo realmente desagradável como anúncios nas mídias sociais usando perfis e páginas falsos... No final, ninguém foi responsabilizado.” Mulher jornalista e defensora dos direitos humanos ambientais, destacada na Campanha Ativismo Feminista Sem Medo do Fundo de Ação Urgente

Em todo o mundo, mulheres, meninas e pessoas defensoras de gênero diverso estão se organizando e agindo para enfrentar crises climáticas, políticas e humanitárias e proteger suas comunidades, terras, territórios e recursos contra danos corporativos. Embora pessoas defensoras de todos os gêneros sejam alvo de ataques devido ao seu trabalho com direitos humanos, mulheres, meninas e pessoas defensoras de gênero diverso podem sofrer diferentes tipos de ataques e enfrentar riscos em diferentes esferas, pois desafiam tanto o poder corporativo quanto as normas patriarcais de gênero na sociedade, em suas organizações e em suas comunidades. Entre essas DDHs, os riscos são ainda maiores para aquelas que são mais marginalizadas pelos sistemas de opressão com base em raça, etnia, capacidade e outras identidades, como as mulheres indígenas e afrodescendentes. Elas enfrentam maiores barreiras à proteção e aos recursos para prevenir, mitigar e recuperar-se de ameaças e danos.

Urgent Action Fund

Nafisa Ferdous

Os ataques contra mulheres, meninas e pessoas defensoras de gênero diverso incluem ameaças on-line de natureza sexualizada e de gênero, violência sexual, campanhas de difamação com o objetivo de prejudicar suas reputações, assédio dentro de suas organizações e violência familiar e/ou por parceiros íntimos relacionada à sua defesa dos direitos humanos fora de casa. Em todas as regiões, os crescentes movimentos fundamentalistas e autoritários de direita intensificaram e normalizaram essa violência por parte de agentes estatais e não estatais. Essas táticas visam a estigmatizar, isolar e silenciar essas pessoas defensoras, tornando-as mais vulneráveis a retaliações. Como as mulheres e as pessoas defensoras de gênero diverso têm maior probabilidade de serem responsáveis por cuidar de famílias, comunidades e organizações, sua capacidade de cuidar de si mesmass e evitar o esgotamento é ainda mais limitada, e seus filhos e familiares também costumam ser alvo.

Na experiência da defensora citada acima, “Sua vida pessoal é totalmente afetada quando você é ambientalista, quando você protege a natureza. Desenvolvi uma doença autoimune e descobri que tenho um problema de tireoide. Quanto mais pesquiso sobre essa doença, mais me convenço de que minha saúde física é afetada por meu estado emocional. E não sou só eu – todas as pessoas envolvidas nisso têm algum tipo de problema de saúde que desenvolvemos devido ao nosso envolvimento ativo nessa campanha. E não temos apoio psicológico. Estamos tentando literalmente não nos afogar”.

Em uma pesquisa do SAGE Fund sobre mulheres que defendem suas terras, territórios, recursos e o clima de projetos extrativistas, muitas mulheres entrevistadas disseram que o dano psicológico causado por campanhas de difamação on-line era uma das formas mais significativas e de longo prazo de dano estrutural que elas enfrentam. Embora um em cada cinco ataques monitorados pelo Centro de Informação na última década tenha sido contra mulheres, meninas e pessoas defensoras de gênero diverso, sabemos que a escala é muito maior, pois muitos ataques nunca são compartilhados na esfera pública devido ao estigma social e às preocupações com a segurança.

Sonia Guajajara COP25, 2019

Violações de direitos e criminalização de indígenas

Sonia Guajajara COP25, 2019

Violações de direitos e criminalização de indígenas

Em coautoria com a Indigenous Peoples Rights International (IPRI)

Os povos indígenas estão na vanguarda do enfrentamento da crise climática, gerenciando mais de 20% da superfície da Terra. Com base em milhares de anos de experiência em administração ambiental, os povos indígenas são líderes vitais na proteção do nosso planeta.

Os povos indígenas estão na linha de frente da crise climática, mas ainda enfrentam a colonização e a discriminação sistêmica. Apesar dos ganhos legais obtidos a muito custo, seus direitos são regularmente violados por governos e empresas.

Agentes estatais e não estatais continuam a violar os direitos dos povos indígenas à autodeterminação, à integridade cultural, às suas terras, territórios e recursos e ao CLPI. Nossa pesquisa também revela que pessoas defensoras indígenas sofrem um nível desproporcionalmente alto de ataques, ressaltando a natureza sistêmica e direcionada dessas violações e abusos. Embora os povos indígenas representem aproximadamente 6% da população mundial, eles sofreram 21% dos ataques registrados na última década. Isso inclui mais de 1.320 casos de assassinatos, ameaças de morte, assédio judicial, intimidação, sequestro, detenção arbitrária e outras formas, inclusive ataques on-line contra pessoas defensoras indígenas, sendo que 73% desses ataques ocorreram na América Latina. Além disso, 21% desses ataques foram direcionados a mulheres indígenas, pessoas “dois-espíritos” e de gênero diverso. O medo de represálias faz com que muitos ataques a povos indígenas não sejam relatados, o que significa que os números reais são, provavelmente, muito maiores. Pessoas defensoras indígenas também têm maior probabilidade de serem mortas do que asindígenas. Um em cada quatro ataques a pessoas defensoras indígenas termina em assassinato – quase o dobro da taxa para não indígenas. O maior número de pessoas defensoras indígenas mortas foi registrado no Brasil, seguido pelas Filipinas e pelo México.

Esses ataques são motivados por uma combinação de fatores que permitem a invasão de agentes comerciais nas terras e territórios dos povos indígenas com impunidade, ou mesmo com o apoio de agentes estatais. O colonialismo e o racismo sistêmico consolidaram os desequilíbrios de poder, excluindo deliberadamente os povos indígenas da tomada de decisões e limitando seu acesso à justiça e à reparação. Com frequência, os Estados priorizam inerentemente o crescimento econômico insustentável por meio de projetos de extração, energia e infraestrutura em detrimento dos direitos dos povos indígenas às suas terras e recursos. Quando as comunidades indígenas manifestam suas preocupações, como a negação da autodeterminação, do CLPI, e a violação de seus direitos à terra, elas geralmente enfrentam violência e criminalização por parte da polícia, dos militares e dos tribunais. As mulheres indígenas enfrentam maior vulnerabilidade a abusos, inclusive estupro e violência sexual, por parte do pessoal de segurança das empresas. A negligência do Estado e a negação de direitos criam um vácuo de poder explorado pelo crime organizado, paramilitares e empresas para assumir o controle das terras dos povos indígenas.

Diante da violência contínua, as comunidades indígenas estão se fortalecendo em conjunto. Em 2024, o IPRI documentou 20 casos emblemáticos de violações de direitos, afetando diretamente 703 pessoas prejudicadas por projetos de óleo de palma, mineração e barragens nas Filipinas, Guatemala e Peru. Por meio de seu Fundo de Defesa Legal e Santuário, o IPRI ofereceu apoio financeiro e jurídico fundamental, ajudando as lideranças e as comunidades indígenas a resistir à injustiça e a amplificar suas vozes no cenário global.

As comunidades indígenas também garantiram vitórias legais vitais, promoveram a responsabilidade corporativa, lideraram a proteção da biodiversidade e estão traçando o caminho para a transição energética justa. Vários projetos empresariais enfrentaram riscos financeiros e jurídicos significativos por terem desrespeitado os direitos dos povos indígenas. A gigante do óleo de palma da Malásia, Sime Darby, por exemplo, gastou mais de US$ 200 milhões em suas operações na Libéria e registrou uma perda de US$ 26,81 milhões no ano fiscal de 2018, depois de não ter garantido o Consentimento Livre, Prévio e Informado. Enfrentando ampla oposição da comunidade e desafios legais, a empresa acabou vendendo seus ativos de plantação por apenas US$ 1, o que levou a baixas contábeis e perdas financeiras significativas. Outros exemplos incluem o cancelamento do projeto Guna Sicarú da EDF no México e a suspensão do projeto Windpeshi da Enel na Colômbia devido a protestos e atrasos. Esses casos destacam os riscos substanciais que as empresas enfrentam quando ignoram ou desconsideram os direitos dos povos indígenas. Além das perdas financeiras, esses conflitos atrasam projetos, corroem a confiança dos investidores e prejudicam a reputação das empresas.

À medida que a competição por recursos se intensifica em meio à crise climática e às tensões geopolíticas, as pessoas defensoras indígenas enfrentam ameaças crescentes. Sem a implementação completa da Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas e a integração dos direitos dos povos indígenas na transição energética, há o risco de aumentar a violência e minar as contribuições vitais dos povos indígenas na proteção do planeta. Os Estados e as empresas devem agir agora para garantir uma ação climática baseada em direitos e que seja equitativa, inclusiva e sustentável.

Indigenous Peoples protest Brasilia Brazil 2025

Proteção coletiva: Comunidades se defendem do abuso

Indigenous Peoples protest Brasilia Brazil 2025

Proteção coletiva: Comunidades se defendem do abuso

Coautoria com a Zero Tolerance Initiative

Em todo o mundo, os povos indígenas, as comunidades afrodescendentes e as pessoas defensoras locais do meio ambiente desenvolveram seus próprios sistemas de proteção contra a violência, a criminalização e o deslocamento. Desde a proteção de seus territórios contra o desmatamento até a organização de redes de resposta rápida, a proteção coletiva não diz respeito apenas à segurança, mas, também, à sobrevivência.

Para muitas comunidades, as ameaças que enfrentam não são atos isolados de violência contra as lideranças, mas fazem parte de padrões mais amplos de intimidação contra o coletivo, com o objetivo de expulsá-los de suas terras. Empresas que buscam explorar recursos, grupos criminosos que lucram com o desmatamento e até mesmo agentes governamentais cúmplices desses abusos usam uma combinação de coerção, campanhas de difamação, assédio legal e ataques diretos para enfraquecer a resistência da comunidade. Em resposta, as comunidades desenvolveram estratégias de proteção coletiva que estão profundamente enraizadas na dinâmica local, nas estruturas sociais, no conhecimento ancestral e na tomada de decisões coletivas.

As estratégias de proteção coletiva podem assumir várias formas e são feitas sob medida com base nas necessidades e na dinâmica de cada comunidade e nas ameaças que enfrentam. Algumas comunidades criam suas próprias guardas indígenas que patrulham e monitoram seu território. Algumas desenvolvem protocolos que estabelecem os termos de como as empresas devem interagir com elas, enquanto outras fortalecem seus sistemas de governança para evitar que agentes externos as dividam.

A pesquisa da Iniciativa Tolerância Zero analisou várias estratégias de proteção coletiva na América Latina. Um exemplo emblemático é a Guarda Indígena Feminina de Napo, Yuturi Warmi, no Equador. Em 2020, quando as operações de mineração começaram sem o CLPI das comunidades, as mulheres indígenas Kichwa na Amazônia equatoriana se organizaram para defender seu território. Desde o início, elas enfrentaram ameaças – uma de suas líderes recebeu esta mensagem assustadora: “Disseram às principais lideranças que, em vez de fazer uma festa de carnaval, eles deveriam estar comprando caixões”. Apesar dos riscos, elas permaneceram firmes. “Dissemos que não permitiríamos nada disso. Foram as mulheres que plantaram a semente.” Sua resistência inspirou outras pessoas, com mulheres de comunidades próximas se unindo em solidariedade. Hoje, a Yuturi Warmi tem cerca de 30 integrantes ativas. Declarando-se uma Guarda Indígena, elas se organizam para monitorar o território, expulsar os mineiros e proteger suas terras, tradições ancestrais, medicina, educação e projetos de subsistência. “Englobamos tudo isso. Foi difícil para nós tentar separar esses diferentes aspectos porque, na verdade, sem unificar essas abordagens, não podemos defender nosso território”, diz María José Andrade Cerda, uma das integrantes do grupo.

Em foco: Conquistas

Apesar dos sérios riscos e da violência que as DDHs enfrentaram na última década, sua corajosa resistência levou a reformas regulatórias, à aprovação de novas leis, à responsabilização por danos e a práticas comerciais mais responsáveis.

U'wa Nation

Povos Indígenas U'wa vs. Colômbia

U'wa Nation

Povos Indígenas U'wa vs. Colômbia

Em 2024, a Corte Interamericana de Direitos Humanos emitiu uma decisão no caso do Povo Indígena U’wa vs. Colômbia, abordando as violações de direitos humanos decorrentes de projetos de petróleo, gás e mineração autorizados pelo Estado em U’wa. De acordo com a Earth Rights International, “pela primeira vez, a Corte fez referência à ‘tripla crise planetária’ de poluição, perda de biodiversidade e crise climática em relação à obrigação do Estado de respeitar e garantir o direito a um ambiente saudável, com implicações importantes para a interseção de negócios, direitos humanos e direitos indígenas na América Latina”.

Photo: Laura Gómez Unda (courtesy of EarthRights International)

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Legislação sobre Mineração de Serra Leoa

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Legislação sobre Mineração de Serra Leoa

Em agosto de 2022, Serra Leoa promulgou uma nova legislação que exige que as empresas obtenham o consentimento explícito das comunidades locais antes de iniciar atividades de mineração, industriais ou agrícolas. Além disso, quem possui terras poderá vetar qualquer projeto que o afete.

A legislação também estabelece comitês locais de uso da terra para tomar decisões sobre como as terras comunitárias são gerenciadas, e exige que esses comitês sejam compostos por pelo menos 30% de mulheres. As novas leis são consideradas uma das mais protetivas para as comunidades em nível global.

SAVE rivers malaysia

SAVE Rivers: Pare com as SLAPPs

SAVE rivers malaysia

SAVE Rivers: Pare com as SLAPPs

Em setembro de 2023, a empresa madeireira Samling Plywood retirou um processo de difamação , iniciado em 2021, contra a SAVE Rivers. A SAVE Rivers é ONG de base sediada em Sarawak, Bornéu, na Malásia, que trabalha com comunidades indígenas para proteger terras, rios e bacias hidrográficas de danos ambientais, preservar a biodiversidade e apoiar os povos indígenas na defesa de seus direitos. A ação judicial ocorreu após uma série de artigos publicados no site da SAVE Rivers que chamaram a atenção para as preocupações das comunidades indígenas afetadas pela concessão de uma certificação de exploração madeireira. Em resposta, a SAVE Rivers lançou uma campanha global de solidariedade intitulada #StoptheSLAPP para lutar contra  SLAPPs.

Celebramos o progresso e as conquistas desta década – abaixo está uma cronologia de alguns desses marcos. Uma visão geral mais detalhada estará disponível em um relatório - que ainda será publicado - encomendado pelo Serviço Internacional para os Direitos Humanos (ISHR) e com o apoio do Centro de Informação.

Olhando para o futuro e recomendações

Esses avanços mostram que é possível haver uma mudança positiva e um futuro mais justo e sustentável, que centralize o respeito aos direitos humanos e à natureza. Faltando apenas cinco anos para cumprir os termos do Acordo de Paris e ajudar a mitigar os piores impactos da crise climática, é cada vez mais urgente que os atores empresariais cumpram sua responsabilidade de respeitar os direitos humanos e sejam defensores da prática empresarial responsável. Ouvir e respeitar os direitos das DDHs é essencial, bem como usar sua voz em apoio ao espaço cívico aberto. Com base nos aprendizados da última década, as recomendações a seguir oferecem um caminho para a realização de economias sustentáveis e que respeitem direitos.

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Estados

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Estados

Recomendações para Estados

  • Aprovar e implementar legislação que reconheça o direito de defender direitos e o papel vital das DDHs na promoção dos direitos humanos, do desenvolvimento sustentável e de um meio ambiente saudável, além de se comprometer com a tolerância zero para ataques (recomendações mais detalhadas estão disponíveis aqui). Isso deve incluir o reconhecimento legal dos direitos específicos dos povos indígenas e afrodescendentes (recomendações mais detalhadas disponíveis aqui).
  • Adotar medidas para promover um ambiente seguro, respeitoso e favorável à sociedade civil, incluindo a revogação de qualquer legislação que criminalize DDHs e o exercício das liberdades de expressão, reunião e associação.
  • Implementar, integralmente, o Acordo de Paris e aderir ou, caso já tenha sido ratificado, implementar integralmente as principais normas internacionais e regionais que protegem as liberdades civis de DDHs, garantindo a participação pública em discussões e decisões sobre mudanças climáticas e meio ambiente.
  • Aprovar leis nacionais para implementar os Princípios Orientadores da ONU, incluindo legislação obrigatória de devida diligência em direitos humanos, e consultar DDHs em todos os estágios desse processo. Essa legislação deve exigir que os atores empresariais se envolvam em consultas contínuas, seguras e eficazes com DDHs e outras pessoas detentoras de direitos, potencialmente ou diretamente afetadas; deve ser parte integrante dos planos de adaptação e mitigação climática e deve estar alinhada com a orientação do grupo de trabalho da ONU sobre pessoas defensoras e outros padrões importantes mencionados acima (recomendações mais detalhadas disponíveis aqui).
  • Coletar e reportar dados sobre ataques letais e não letais para informar mecanismos de proteção mais eficazes e aprovar legislação anti-SLAPP para evitar que as empresas silenciem DDHs (recomendações mais detalhadas disponíveis aqui).
  • Assegurar uma solução eficaz para as violações quando elas ocorrerem, inclusive por meio do fortalecimento dos sistemas judiciais para acabar com a impunidade e responsabilizar as empresas por atos de retaliação contra DDHs, além de participar ativamente da investigação e do julgamento dos responsáveis pelos ataques.
  • Envolver-se de forma ativa e construtiva nas negociações para a adoção de um tratado vinculante da ONU sobre empresas e direitos humanos e garantir que ele reconheça explicitamente os riscos que DDHs enfrentam e seu direito de defender os direitos humanos.
Companies

Empresas

Companies

Empresas

Recomendações para Empresas

  • Adotar e implementar compromissos de políticas públicas que reconheçam o valioso papel das DDHs, façam referência a riscos específicos para DDHs, garantam o engajamento e a consulta efetivos com DDHs em todos os estágios do processo de devida diligência e se comprometam com a tolerância zero para represálias em todas as operações, cadeias de suprimentos e relacionamentos comerciais da empresa.
  • Acompanhar os compromissos de políticas com orientações e planos de implementação, de acordo com a orientação do Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre Empresas e Direitos Humanos e com a orientação da sociedade civil sobre indicadores adequados para monitorar o progresso.
  • Envolver-se e relatar os resultados da devida diligência ambiental e de direitos humanos que integre uma perspectiva de gênero em todo o processo e garanta o acesso efetivo a recursos para as pessoas prejudicadas pela atividade comercial, de acordo com os Princípios Orientadores, a orientação do Grupo de Trabalho da ONU sobre como garantir o respeito às DDHs e a orientação de gênero do Grupo de Trabalho da ONU.
  • Reconhecer que as pessoas defensoras indígenas estão desproporcionalmente em risco e criar e implementar compromissos públicos para respeitar os direitos dos Povos Indígenas, com base em seus direitos à autodeterminação (terras, territórios e recursos) e no direito ao consentimento livre, prévio e informado (CLPI), incluindo seu direito de definir o processo pelo qual o CLPI é obtido e de recusar o consentimento (recomendações mais detalhadas disponíveis aqui).
  • Comprometer-se publicamente a remediar os impactos adversos sobre DDHs que tenha causado ou para os quais tenha contribuído e a trabalhar com os fornecedores para remediar os impactos adversos diretamente ligados às suas operações, produtos e serviços. Isso inclui o estabelecimento e a disponibilização adequada de recursos para mecanismos de reclamação e prestação de contas seguros, eficazes e acessíveis, alinhados aos Princípios Orientadores, que incluam proteções para DDHs e denunciantes, tratem de reclamações de terceiros e ofereçam um acompanhamento robusto para tratar e reparar as reclamações.
  • Reconhecer publicamente que DDHs têm o direito de defender os direitos humanos e são aliados essenciais para ajudar as empresas a cumprirem suas responsabilidades de acordo com os Princípios Orientadores.
  • Abster-se de qualquer lobby, gastos políticos e outras formas diretas ou indiretas de envolvimento político para apoiar limites às liberdades cívicas ou para enfraquecer as leis que responsabilizam as empresas por abusos de direitos humanos e destruição ambiental.
Investors

Investidores

Investors

Investidores

Recomendações para Investidores

  • Publicar uma política de direitos humanos que reconheça o valioso papel das DDHs na identificação dos riscos associados às atividades comerciais e que se comprometa com uma abordagem de tolerância zero aos ataques contra eles. Comunicar claramente as expectativas de direitos humanos incluídas nessa política às empresas do portfólio, incluindo que essas empresas:
    • divulguem os riscos relacionados aos direitos humanos e ao meio ambiente;
    • participem de consultas contínuas com as comunidades, as pessoas trabalhadoras e DDHs;
    • tenham políticas e processos para respeitar os direitos dos povos indígenas (incluindo direitos à terra e consentimento livre, prévio e informado);
    • respeitem os direitos dos/as DDHs; e
    • garantam o acesso efetivo a recursos quando ocorrerem danos.
  • Realizar uma rigorosa devida diligência ambiental e de direitos humanos que integre uma perspectiva de gênero em todo o processo e analisar os possíveis beneficiários de investimentos quanto a qualquer envolvimento anterior com retaliação. Isso inclui consultar as pessoas detentoras de direitos e não confiar na autodivulgação da empresa quanto ao fato de o direito dos povos indígenas ao consentimento livre, prévio e informado ter sido respeitado.
  • Evitar investir em empresas com histórico de danos aos direitos humanos e ao meio ambiente e de retaliação contra DDHs.
  • Exercer influência sobre as empresas investidas que causem, contribuam para ou estejam diretamente ligadas a danos aos direitos humanos e ao meio ambiente, incluindo ataques a DDHs, para que a empresa mitigue os impactos negativos e forneça acesso a soluções para as pessoas afetadas.

Expressamos nossa profunda gratidão às pessoas defensoras dos direitos humanos em todo o mundo que corajosamente se manifestam, se organizam e agem para defender os direitos humanos e o nosso planeta. Honramos e celebramos seu trabalho. Também agradecemos às muitas organizações da sociedade civil, comunidades e jornalistas que documentam o trabalho vital de DDHs que levantam preocupações sobre os danos corporativos e os ataques que enfrentam, assim como a todos que contribuíram para este relatório e todos os nossos parceiros neste trabalho. Esta pesquisa não seria possível sem eles.


Principais autoras: Lady Nancy Zuluaga Jaramillo e Christen Dobson

Pesquisadores: Ana Žbona, Lady Nancy Zuluaga Jaramillo, Hannah Matthews, Vitória Dell’Aringa Rocha, Dylan Lebecki, Christen Dobson, Vladyslava Kaplina, Ella Skybenko, Gerald Kankya, Anithra Varia, Andrea Maria Pelliconi, Valentina Muñoz, Claudia Ignacio Alvarez, Silvana Vanessa Mena Hernández, Alejandro Guzmán Woodroffe, Laura Perez Estevez, Leonor Gomes e Sonja Stara.

Coautores do estudo de caso: ALLIED, Asian NGO Coalition for Agrarian Reform and Rural Development (ANGOC), Bantay Kita, Cambodian Journalists Alliance Association (CamboJA), Global Rights Advocacy, Global Witness, Organización Fraternal Negra Hondureña (OFRANEH), IM-Defensoras e Red Nacional de Defensoras en Honduras, Indigenous Peoples Rights International (IPRI), TrendAsia, Urgent Action Fund for Feminist Activism e Fondo de Acción Urgente para América Latina y el Caribe, Zero Tolerance Initiative

O Centro de Informação sobre Empresas e Direitos Humanos é uma ONG internacional que monitora os impactos dos direitos humanos de mais de 10.000 empresas em mais de 180 países, disponibilizando informações em nosso website em 10 idiomas. O programa de Liberdades Cívicas e Pessoas Defensoras dos Direitos Humanos do Centro de Informação aborda as causas fundamentais dos assassinatos e da violência contra as pessoas defensoras dos direitos humanos e do meio ambiente ligados às operações de empresas e às cadeias de fornecimento globais; defende práticas que respeitem os direitos e a responsabilização entre os atores empresariais; e aumenta a ação rápida e o envolvimento a longo prazo dos atores empresariais em apoio às pessoas defensoras e às liberdades cívicas para prevenir ataques contra as pessoas defensoras, permitindo que possam promover os direitos humanos de forma segura.

Leituras adicionais

Poder popular sob pressão: Pessoas desafiando o poder corporativo para proteger nosso planeta

Em 2023, o Centro de Informação sobre Empresas e Direitos Humanos registrou 630 casos de ataques contra pessoas que levantaram preocupações sobre danos relacionados a atividades empresariais. Leia nossa análise de dados anual.

Guardiãs e guardiões em risco: Ataques contra DDHs na América Latina e no Caribe

A América Latina e o Caribe é uma das regiões mais perigosas do mundo para as pessoas defensoras de direitos humanos (DDHs). Entre janeiro de 2015 e dezembro de 2022 (inclusive), identificamos quase 2.000 ataques contra DDHs na América Latina e no Caribe, representando 42% do total de ataques (4.700) registrados globalmente.

Protetor, não prisioneiro: Explorando as violações de direitos e a criminalização dos Povos Indígenas nas ações climáticas

Este informativo, publicado em conjunto com a Indigenous Peoples Rights International, explora como ações climáticas que não colocam os direitos humanos no centro têm sido prejudiciais aos Povos Indígenas, além da escala de ataques que as pessoas defensoras indígenas enfrentam ao protegerem suas terras, territórios, recursos naturais e comunidades contra esses projetos.

Pessoas Defensoras e Liberdades Cívicas

Explore todos os nossos recursos sobre DDHs e liberdades cívicas

Base de dados sobre Pessoas Defensoras

Explore nossa base de dados de ataques contra pessoas defensoras de direitos humanos relacionados a atividades empresariais

SLAPPs

Explore todos os nossos recursos sobre ações judiciais estratégicas contra a participação pública (SLAPPs)

Cover image credit: Women’s Earth and Climate Action Network (WECAN)