Brasil: Indígenas voltam a temer contaminação de rio por mineração quatro décadas após primeiras denúncias no Amazonas
“Medo de contaminação de rio por mineradora volta a assombrar indígenas no AM, 40 anos após primeiras denúncias”, 30 de março de 2026
...os kinja...indígenas do território Waimiri Atroari, entre o Amazonas e Roraima. Eles são vizinhos da Mineração Taboca, responsável por uma das maiores jazidas a céu aberto do país.
A empresa atua desde 1982 em Presidente Figueiredo (AM) e hoje é a maior produtora de estanho refinado do Brasil — metal que chega até as cadeias produtivas de gigantes da indústria automobilística, como a Toyota e a Tesla.
...Um igarapé que alimenta o Alalaú, principal rio da terra indígena, estaria contaminado por chumbo e arsênio, entre outras substâncias perigosas, segundo um relatório de agosto de 2025 com análises químicas da água encaminhado pela Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) ao MPF (Ministério Público Federal) no Amazonas.
Produzido pela startup de biotecnologia Aqua Viridi, o laudo afirma que a presença de metais na água e nos sedimentos do rio representa uma “ameaça imediata” aos indígenas e ao meio ambiente. O documento foi acessado em primeira mão pela Repórter Brasil — a apuração foi realizada com apoio da Rainforest Investigations Network, do Pulitzer Center.
Os resultados fizeram o MPF retomar uma investigação que se arrasta há cinco anos sobre a possível relação entre a atividade minerária e a contaminação na terra indígena...
Os kinja convivem há mais de quatro décadas com a devastação do seu território...
A Mineração Taboca aposta na exploração de cassiterita (matéria-prima do estanho) tântalo, nióbio e estuda extrair elementos de terras raras. Esses minerais têm despertado cada vez mais interesse das indústrias bélica e de tecnologia no mundo todo — tanto que, em 2024, a mineradora foi comprada pela China Nonferrous Metal Mining Group, uma estatal do país asiático.
Procurada pela Repórter Brasil, a assessoria de imprensa da Taboca emitiu uma nota informando que a mineradora mantém há anos uma relação de “diálogo, respeito e cooperação” com os Waimiri Atroari.
Em relação à retomada das investigações pelo MPF-AM sobre a potencial contaminação das águas, o posicionamento afirma que, “até o momento, não há evidências que indiquem nexo de causalidade com suas operações”.
O posicionamento afirma ainda que o relatório de análises químicas feito pela Aqua Viridi, e encaminhado pela Funai ao Ministério Público Federal, “apresenta lacunas metodológicas que comprometem a reprodutibilidade de informações, além de inconsistências técnicas, o que demanda aprofundamento para conclusão definitiva”.
A íntegra da nota da Mineração Taboca pode ser lido neste link. Outros trechos estão distribuídos ao longo desta reportagem.