"Eu não voltaria nunca": riscos de trabalho forçado nas cadeias de fornecimento do café no Brasil
A diferença é que prometeram um monte de coisa lá. Prometeram salário bem alto por produção, e primeiro colocou para colher o café ruim, por isso não deu para ganhar dinheiro nenhum, pois não tinha café que era muito pouco e a gente se matava de trabalhar e não tirava nada. A comida a gente já sabia que iria comprar por nossa conta, não sabia que tinha que comprar soprador, maquininha, luvas, boras, óculos, pois não tem. Tivemos que comprar isso ai.Trabalhador do café durante a safra de 2025 em Minas Gerais
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O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de café, fornecendo um terço da produção global para mais de 120 países, sendo que 70% das exportações vão para os dez maiores compradores, incluindo Estados Unidos, Alemanha, Itália e Japão. Aproximadamente metade do café brasileiro se origina no estado de Minas Gerais, que responde por 65% de toda a produção nacional de café arábica.
Para compreender como as falhas nos esforços corporativos para enfrentar o trabalho forçado, destacadas no benchmark de alimentos e bebidas de 2026 do KnowTheChain, afetam os trabalhadores na base das cadeias globais de fornecimento, o KnowTheChain firmou parceria com a Articulação dos Empregados Rurais do Estado de Minas Gerais (ADERE-MG) para investigar as condições de trabalho em fazendas de café no Brasil.
Tem cooperativas que têm uma lista com os nomes. As pessoas que já foram à justiça e denunciaram os empregadores estão nessa lista. E os trabalhadores que realmente reclamaram e exigiram seus direitos humanos não são mais empregados. Para aqueles que vivem na fazenda, as condições de moradia são muito precárias, como as casas são pintadas, mas por dentro tem valas.”Pesquisador da ADERE-MG
ADERE-MG
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Os relatos dos trabalhadores entrevistados pela ADERE-MG evidenciam o fracasso absoluto das empresas em respeitar os direitos de suas forças de trabalho mais vulneráveis e invisibilizadas. As entrevistas revelaram múltiplos indicadores de trabalho forçado: todos os 24 entrevistados relataram ao menos um dos indicadores definidos pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), e muitos relataram até seis. Entre os mais comuns estavam o abuso de vulnerabilidade, relacionado à precariedade contratual e à informalidade, e condições abusivas de trabalho e moradia. O engano no processo de recrutamento também foi recorrente: a maioria dos trabalhadores descreveu ter recebido promessas falsas sobre produtividade da colheita, qualidade do trabalho, condições dignas de vida e fornecimento de equipamentos, apenas para encontrar, ao chegar, uma realidade significativamente pior.
Das pessoas trabalhadoras
Dez dos 11 indicadores de trabalho forçado da OIT foram relatados em pelo menos nove plantações. Das 24 pessoas trabalhadoras...
24
pessoas trabalhadoras
relataram abuso de vulnerabilidade
23
pessoas trabalhadoras
denunciaram condições abusivas de trabalho e de vida
19
pessoas trabalhadoras
relataram horas extras excessivas`
18
pessoas trabalhadoras
sofreram isolamento
ADERE-MG
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