Brasil: Quilombolas denunciam impactos de projeto de combustível sustentável financiado por HSBC e IFC na Bahia
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“HSBC e IFC lideram aporte de R$ 7 bi em usina ‘verde’ criticada por quilombolas na Bahia”, 22 de junho de 2026
COM A PROMESSA de reduzir emissões de gases do efeito estufa com a produção de SAF (combustível de aviação sustentável) e diesel renovável no Recôncavo Baiano, a empresa de energia Acelen atraiu R$ 7 bilhões em crédito público e privado para a construção de uma biorrefinaria na região onde moram dezenas de comunidades quilombolas.
O recurso foi levantado por meio de um consórcio liderado pelo banco HSBC e pela IFC (International Finance Corporation, braço de investimentos do Banco Mundial), do qual participam outras dez instituições financeiras nacionais e internacionais, incluindo o BNDES e o Bradesco...
...comunidades quilombolas e marisqueiras que moram perto da plantação reclamam da instalação de cercas e placas que restringem a circulação dos quilombolas em áreas historicamente usadas para extrativismo e práticas religiosas...
As queixas levaram o Ministério Público Federal a abrir uma investigação para apurar se o projeto viola o direito à consulta prévia, livre e informada de comunidades tradicionais afetadas pela futura biorrefinaria e pelas plantações de macaúba...
Procurada pela Repórter Brasil, a Acelen afirmou que o projeto da biorrefinaria em São Francisco do Conde “vem sendo conduzido com diálogo junto às comunidades potencialmente impactadas”. A empresa disse também que o processo “envolve a consulta livre, prévia e informada, além de iniciativas voltadas à inclusão produtiva, qualificação profissional e desenvolvimento territorial”. Leia aqui a resposta na íntegra.
Posicionamentos dos bancos participantes do consórcio
A IFC aprovou o investimento de até 250 milhões de dólares (cerca de R$ 1,2 bilhão nos valores atuais) no projeto. Questionada pela Repórter Brasil, a instituição reconheceu “que identificou aspectos socioambientais que requerem avaliação e gestão adicionais para garantir o alinhamento com os Padrões de Desempenho” e classificou o projeto como de “alto risco socioambiental”.
Diante disso, a IFC disse ter exigido que a Acelen implemente ações específicas como avaliação de impacto e contratação de assessor técnico independente de meio ambiente, saúde e segurança. Leia aqui a resposta na íntegra.
Procurado pela Repórter Brasil, o HSBC não quis se pronunciar.
Os demais bancos internacionais que participam do consórcio são FAB (First Abu Dhabi Bank), ADCB (Abu Dhabi Commercial Bank), BID Invest, AIIB (Asian Infrastructure Investment Bank), FinDev Canada (Development Finance Institute Canada), KfW IPEX-Bank, BBVA e Bank of China.
À Repórter Brasil, o BID Invest, a área dedicada ao setor privado do Banco Interamericano de Desenvolvimento, afirmou que o empréstimo está “limitado ao desenvolvimento da nova biorrefinaria”, projeto que passa por “rigorosa diligência e supervisão”, e que a refinaria de petróleo existente e as plantações de macaúba “não fazem parte do escopo do financiamento”.
O alemão KfW IPEX-Bank também afirmou que os recursos estão restritos à biorrefinaria em São Francisco do Conde e que o projeto de plantio de macaúba da Acelen não foi incluído na avaliação ambiental e social de 2025.
O espanhol BBVA afirmou considerar que a Acelen implementou medidas adequadas para abordar as questões ambientais e sociais relacionadas ao projeto.
O banco de fomento FinDev Canada declarou à Repórter Brasil que contratou um consultor socioambiental independente e que faz supervisão contínua alinhada a padrões internacionais e realizada “em estreita coordenação com os demais cofinanciadores”, além de visitas periódicas sempre que avaliam ser apropriado.
Os bancos FAB, ADCB, AIIB e Bank of China não responderam até a publicação desta reportagem. As manifestações completas de todas as instituições financeiras procuradas pela reportagem podem ser lidas aqui.
Apoio do BNDES
No Brasil, os integrantes do consórcio de financiamento do projeto são o BNDES e o Bradesco...