Brasil: A luta incansável da ADERE-MG contra o trabalho forçado no setor cafeeiro brasileiro
Shutterstock (licensed)
Em fevereiro de 2026, o projeto KnowTheChain publicou seu mais recente benchmark do setor de alimentos e bebidas, a análise do Business & Human Rights Centre sobre as maiores empresas do mundo, que revelou um setor perigosamente despreparado para enfrentar os riscos de trabalho forçado agravados pela crise climática em suas cadeias de fornecimento.
Para entender como falhas corporativas se traduzem em danos concretos na vida dos trabalhadores, o KnowTheChain firmou parceria com a Articulação dos Empregados Rurais do Estado de Minas Gerais (ADERE-MG) para investigar as condições de trabalho em plantações de café no Brasil. Indicadores de trabalho forçado foram identificados em todas as entrevistas realizadas. Os trabalhadores relataram práticas abusivas de recrutamento, condições degradantes de moradia e uma quase total falta de transparência sobre quem compra o café que colhem, tornando praticamente impossível qualquer processo de reparação. Embora algumas fazendas tenham sido autuadas pelas autoridades trabalhistas brasileiras durante a safra de 2025, muitos outros casos de trabalho forçado e exploração seguem sem identificação ou reparação devido à falta de recursos para fiscalização e à inação das marcas.
O benchmark e o estudo repercutiram entre representantes da indústria do café, o Conselho Nacional do Café, o governo brasileiro e outros atores relevantes. À luz das manifestações publicadas (e anexadas abaixo) pelo governo e pelo setor, a Articulação dos Empregados Rurais do Estado de Minas Gerais (ADERE-MG) publicou uma nota destacando a continuidade da luta para libertar o setor cafeeiro brasileiro do trabalho escravo. O posicionamento do Business & Human Rights Centre sobre o tema também está disponível abaixo